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Quando o Minha Casa, Minha Vida passa a redesenhar o mercado imobiliário | Coluna POP

O MCMV já representa 58% dos lançamentos residenciais do Brasil. Vanderley Ribeiro, CEO da VKR, analisa como a mudança no público do programa está transformando o próprio produto imobiliário.

Vanderley Ribeiro — CEO VKR Empreendimentos

Um programa que deixou de ser nicho

Durante muitos anos, o programa Minha Casa, Minha Vida foi tratado como um segmento específico dentro do mercado imobiliário brasileiro: de um lado, os empreendimentos enquadrados no programa; de outro, o chamado mercado convencional. Os números mais recentes mostram que essa divisão está ficando cada vez menos clara.

No segundo trimestre de 2026, 58% de todos os imóveis residenciais lançados no Brasil estavam enquadrados no Minha Casa, Minha Vida. Foram mais de 62 mil unidades em apenas três meses. Nas vendas, o programa também ultrapassou a metade do mercado: das 113,6 mil unidades comercializadas no período, 51% pertenciam ao MCMV. É a maior participação do programa nos lançamentos desde o início da série histórica da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), em 2019.

Quando mais da metade dos imóveis novos vendidos no país pertence a um mesmo programa habitacional, já não estamos falando apenas de uma política pública voltada a uma parcela específica da população. Estamos falando de uma força capaz de influenciar o próprio funcionamento do setor.

O que mudou nas regras do MCMV em 2026

Parte dessa transformação vem da ampliação do público atendido. Em abril de 2026, a Portaria MCID nº 333 atualizou os limites de renda do Minha Casa, Minha Vida, e o programa passou a alcançar famílias com renda mensal de até R$ 13 mil. Na modalidade Classe Média, podem ser financiados imóveis de até R$ 600 mil, com prazo de até 35 anos.

Isso muda bastante a percepção histórica de que o programa estaria restrito exclusivamente à habitação de baixa renda. Hoje, uma parte do público do MCMV é formada por famílias que, até pouco tempo atrás, comprariam um imóvel fora do programa, no mercado dito convencional. Essas famílias chegam com outra referência de moradia, e isso muda o que passam a exigir do produto.

"E quando o público muda, o produto também muda."

Quando o público muda, o produto muda

Para as incorporadoras, enquadrar um empreendimento dentro das condições de financiamento disponíveis pode significar acesso a um contingente muito maior de compradores. Isso influencia decisões que começam muito antes da abertura das vendas: preço do terreno, tamanho das unidades, padrão construtivo, quantidade de áreas comuns, custos da obra e até a localização escolhida.

O desafio, portanto, passa a ser encontrar equilíbrio. É necessário construir dentro de limites de preço que permitam o enquadramento nos programas de financiamento, sem ignorar que o consumidor também passou a exigir mais do imóvel. Características como áreas de lazer, sacada, churrasqueira, elevador, segurança e soluções de eficiência passaram a aparecer com muito mais frequência também em empreendimentos destinados às faixas atendidas pelo programa.

Araucária como exemplo: dois produtos, dois públicos

Em cidades em expansão, essa mudança é particularmente visível. Em Araucária, por exemplo, a VKR tem o TerraCotta Araucária (próximo lançamento) que foi projetado para atender a Faixa 2 (rendas até R$5.000), enquanto o Província di Pádua atende às Faixas 3 e 4 (rendas até R$13.000). São públicos com renda, expectativa e necessidade diferentes, e isso se reflete diretamente no tamanho das unidades, no padrão de acabamento e nas áreas comuns de cada um.

Uma transformação desigual pelo país

Vale registrar que essa transformação não acontece do mesmo jeito em todo o país. Na Região Sul, a participação do MCMV nos lançamentos foi de apenas 29% no segundo trimestre, bem abaixo da média nacional de 58%, segundo a CBIC. Preço de terreno e características de cada mercado local ainda pesam bastante nessa conta.

Ainda assim, o movimento nacional é difícil de ignorar.

O que isso sinaliza para o futuro da moradia

O Minha Casa, Minha Vida nasceu como uma política para ampliar o acesso à moradia. Hoje, além de cumprir essa função, tornou-se também uma peça central da dinâmica da construção e do mercado imobiliário brasileiro.

Talvez essa seja a principal mudança: o Minha Casa, Minha Vida já não acompanha apenas aquilo que o mercado constrói. Ao ampliar quem consegue comprar, o programa também começa a transformar o que se constrói. Isso eleva a discussão sobre que tipo de moradia queremos entregar a esse novo consumidor.

3. FAQ

O que mudou nos limites de renda do Minha Casa, Minha Vida em 2026?

Em abril de 2026, a Portaria MCID nº 333 atualizou os limites de renda do programa, que passou a alcançar famílias com renda mensal de até R$ 13 mil. Na modalidade Classe Média, podem ser financiados imóveis de até R$ 600 mil, com prazo de até 35 anos.

Qual foi a participação do MCMV nos lançamentos imobiliários do Brasil no segundo trimestre de 2026?

O programa respondeu por 58% de todos os imóveis residenciais lançados no país, a maior participação desde o início da série histórica da CBIC, em 2019. Nas vendas, o MCMV representou 51% do total comercializado no período.

Por que a participação do MCMV na Região Sul é menor que a média nacional?

Na Região Sul, o MCMV respondeu por apenas 29% dos lançamentos no segundo trimestre de 2026, bem abaixo da média nacional de 58%. O preço do terreno e as características de cada mercado local ainda pesam bastante nessa diferença regional.

Como a ampliação do público do MCMV está mudando o padrão dos imóveis construídos?

Com um público mais amplo, incluindo famílias que antes comprariam fora do programa, características como áreas de lazer, sacada, elevador, segurança e soluções de eficiência passaram a aparecer com mais frequência também em empreendimentos enquadrados no MCMV.

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